domingo, 9 de junho de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
PROJETO ENCANTADO DA ÁGUAS
Pesquisa, Registro, Oficina e Espetáculo de Narração de Histórias
OBJETIVO GERAL
Criar
e apresentar 3 (três) vezes, um espetáculo de narração de
Histórias, com lendas, mitos, histórias de vida e causos de
encantamento do povo ribeirinho com o Rio São Francisco.
OBJETIVO ESPECÍFICO
1 –
Pesquisar
e registrar (escrita e áudio , lendas, mitos e causos de encantamento
do (a) Ribeirinho (a) das cidades de Piaçabuçu -AL e Igreja nova
(Povoado Xinaré) em Alagoas e Porto da Folha (Ilha de São Pedro) em
Sergipe.
2
– Realizar 3 oficinas (uma em cada cidade) de narração de
Histórias de 10h cada, para comunidade, com foco em estudantes do
ensino médio, nas cidades de Piaçabuçu e Igreja nova (Povoado
Xinaré) em Alagoas e Porto da Folha (Ilha de São Pedro) em Sergipe;
3-
Apresentar o Espetáculo de Narração de Histórias “Encantado
das Águas”, resultante
das pesquisas,
nas
cidades de Piaçabuçu -AL e Igreja nova (Povoado Xinaré) em Alagoas
e Porto da Folha (Ilha de São Pedro) em Sergipe.
4
- Distribuir nas Bibliotecas Municipais e Escolares das cidades de
Piaçabuçu -AL e Igreja nova (Povoado Xinaré) em Alagoas e Porto da
Folha (Ilha de São Pedro) em Sergipe,o resultado final do projeto,
em forma de relatório, anexados a este as lendas, mitos e causos de
encantamento pesquisados em todas as comunidade.
O por
quê?
Nasci
e fui criada no Povoado Potengy, próximo a Foz do Rio São
Francisco, em Piaçabuçu – Al. Quando criança ouvia das vozes dos
pescadores histórias que o rio ditava. Cresci apaixonada pelo
fazeres e saberes do povo ribeirinho. Caminhando pelo Baixo São
Francisco, tive oportunidade de registrar um pouco do cotidiano
desse povo. Toquei pífano com os indios da Tribo Xocó e dancei
no Quilombo Mucambo na Ilha de São Pedro, em Porto da Folha-Se,
passei pelo povoado Xinaré, onde, um pescador afirmou que o rio não
está morrendo, apenas cavando outro percurso. Em Piaçabuçu, em
contato com pescadores, lavadeiras já venho registrando e contando
histórias dos peixes, dos encantados das águas ( Mero, Nego D'água,
Mãe D'água).
Realizar
esse projeto é dá continuidade a essa prosa com os
ribeirinhos.Registrar as histórias que o rio dita e que estão se
perdendo, pelo fato de não se ter mais roda de narração de
histórias, é contribuir com a manutenção do saber desse povo. Ao
levar as histórias do rio para escolas e ruas e reavivar a memória
dos mais velhos, busco manter vivo o imaginário do lugar.
Vou
chegar nas comunidade só, ouvirei e registrarei as histórias,
farei oficinas de narração de histórias, depois volto para casa,
organizarei a pesquisa e ralizarei ensaios. Retorno as comunidades
contando as histórias e deixando um registro (escrito e áudio) da
escuta das 3 localidades visitadas.
As
apresentações de narração de Histórias acontecerão nas margens
do rio, tendo como palco uma canoa ou um tronco de árvore.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Direção e Pesquisa no Espaço Educar- Maceió 2012
veja mais em http://linetearteeducadora.blogspot.com.br
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Espetáculo "Pé de Passagem"
MÚSICA
MESTIÇA. MÚSICA PRETA BRASILEIRA
Um espetáculo com
canções que induz um caminhar, um retrilhar.
Foi no caminhar de
Linete Matias pelo Brasil que o Espetáculo Pé de Passagem começou
a nascer, uma samba chula, um coco, um ijexá, um
barravento...,canções e ritmos que sobreviveram e se reinventaram
depois da diáspora Africana. Sonoramente, o nome “PÉ DE
PASSAGEM”, pede licença aos ancestrais, ao povo para que essas
canções sejam interpretadas, interpretadas como fazem os africanos,
num corpo uno, onde cantar e dançar se integram harmonicamente para
contar histórias.
No repertório, canções
autorais e de pessoas que cruzaram o caminho sonoro de Linete
Matias: Lamento de um Pescador -Naldinho, Borboletas - Del Yrerê,
Ora pro Nobis - do Mineiro Black Pio, além de canções tradicionais
do Nordeste Brasileiro.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Espetáculo LUA
Inspirado
na Vida e Obra de Luiz Gonzaga
Homenageando
o centenário de Luiz Gonzaga, o Espetáculo LUA revive o dia a dia
do Sertão Nordestino, cantando suas flores, cores e belezas,
lembrando o trabalho nas feiras, festejando a chuva, rezando quando o
sol inclemente castiga a terra.
O
olhar poético de Linete Matias – diretora – leva à cena,
crianças de 06 a 11 anos da Escola Madre Blanche numa estética
lúdico-contemporânea, retratando a fuga da seca, quando não há
chuva regando a terra e falta água pra beber; os desafios
enfrentados no sul do Brasil; a vida pela música e o retorno a terra
natal no dia de São João ao saber que a chuva voltou a cair no
sertão.
A
magia cênica proporciona a transformação dos estudantes-artistas
em Sol, Lua, pássaros, cavalos e bois, ampliando a paixão que o
Velho Lua demonstra nas 15 músicas selecionadas para esse trabalho,
dentre elas Feira de Caruaru, Acauã, 17 e 700, Sabiá.
O
“LUA”
é
o terceiro Musical que o Centro de Estudos Madre Blanche realiza,
todos com direção de Linete Matias, formada em Artes Cênicas pela
UFAL, educadora popular pela Escola Viva Olha o Chico e integrante do
Grupo Caçuá de Piaçabuçu - AL. Em 2009 crianças de 8 a 11 anos
encantaram o público cantando e interpretando os clássicos da
Bossa Nova com o “Musical
Meninas na Bossa”
e no ano de 2010, o musical “Tropicalismo
é show”
lotou duas seções no Teatro Jofre Soares no Sesc - AL.
O
Espetáculo “LUA”, será
apresentado dia 25 de Outubro, às 19h no Teatro de Arena Sérgio
Cardoso, dentro da programação do Projeto Quinta no Arena 2012.
Elenco: Alice Vitória (6 anos), Ana Victória (6 anos), Allana Lívia (10 anos), Edgina Andrade (11 anos), Fernanda Aragão (10 anos) e Ryan Vinicius (8 anos).
Direção:
Linete
Matias
Assistente
de Direção: Júlia
Figueredo
Acompanhamento
Musical: Grupo
Caçuá
Produção:
Centro
de Estudos Madre Blanche – Edgina Figueredo
Classificação:
Livre
mais informações: http://linetearteeducadora.blogspot.com.br
Duração:
1h10m
Apoio: Associação Olha o Chico e Artes Madeira
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Direção do Espetáculo ECA?
Um novo filho nasceu e circula a cidade de Piaçabuçu - Al. É o Espetáculo ECA? do Grupo Caçuazinho, grupo de arte infantil da Associação Olha o Chico. Direção, figurino e sonorização é de Linete Matias. Mais informações http://linetearteeducadora.blogspot.com.br/
terça-feira, 17 de julho de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
domingo, 20 de novembro de 2011
Cheiro da memória ou memória do cheiro
Com o umbigo grudado no fogão, fazendo comidinhas para matar saudades da infância.
Hoje raspei coco e me propus fazer cocada de coco.
Açúcar, coco e saudade.
Era tarefa das crianças sair pelos coqueirais a procura de coco bom. Coco seco ou verde. O seco fica no chão, tirar o coco verde exigia mais estripulias: Ser bom em atirar pedra ou escalar como macaco.
Coco achado. Fogo de lenha aceso. Panela de barro, açúcar e coco dentro, colher de pau a mexer.
Cheiro de cocada no fogo. Cheiro de saudade de um tempo que não volta mais.
Hoje raspei coco e me propus fazer cocada de coco.
Açúcar, coco e saudade.
Era tarefa das crianças sair pelos coqueirais a procura de coco bom. Coco seco ou verde. O seco fica no chão, tirar o coco verde exigia mais estripulias: Ser bom em atirar pedra ou escalar como macaco.
Coco achado. Fogo de lenha aceso. Panela de barro, açúcar e coco dentro, colher de pau a mexer.
Cheiro de cocada no fogo. Cheiro de saudade de um tempo que não volta mais.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Memórias
Quando dá meia-noite tudo que é de mal - assombro aparece na rua, mas não é toda meia-noite, só as meias-noites de lua cheia.
Toda a noite, os mais velhos ascendem uma fogueira, sentam nas esteiras e começam a contar histórias, as histórias que a lua inspira, histórias de mula-sem-cabeça, lobisomem, histórias mal-assombradas...
As crianças escutam tudo, o medo vai deixando frio o lugar, os olhos percorrem a vegetação, os cantos escuros dos quintais das casas, o balanço dos barcos. O corpo treme, Maria, menina esperta, corre pro colo de sua mãe, ali ela se sente protegida, longe dos perigos. Os mais velhos riem e aos poucos vão entrando para casa.
Maria vai segurando na barra da saia de sua mãe. Ela abre a porta da casa, ascende o candeeiro e leva Maria pra a cama.
Maria deita, mas as sombras projetadas na parede do quarto feitas pelo candeeiro, faz lembrar as histórias que os mais velhos contaram...
Maria volta a tremer, pega o lençol e se enrola da cabeça aos pés...
É quase meia-noite, Maria continua toda enrola no lençol e com os olhos fechados, às vezes cria coragem e abre aos poucos, mas torna a fechar, o candeeiro está quase apagado, mas as sombras na parede são ainda maiores.
Falta pouco pra meia-noite, Maria ouve trotes de cavalo na rua, os trotes vão ficando cada vez altos, de repente um rinchar de cavalo, Maria cria coragem e brecha pelo ferrolho da porta. Maria menina medrosa, curiosa, nada vê, o barulho some, nem o rio tem movimento a essa hora, ele parece uma extensão do céu. Um céu com duas luas.
- Será que era a mula sem cabeça?
Os mais velhos contam que nas noites de lua cheia ela corre desembestada pelas ruas, o pai de Maria disse que já viu.
- É uma mula bonita, mas no lugar de cabeça ela tem uma fogueira no lugar.
Talvez seja a Ziza, ela namorou com o padre e nunca mais foi vista no povoado.Virou mula.
Outro barulho, agora vem da água, é o ziguezague do remo que Maria ouve. Ela torna a olhar pelo buraco da fechadura. É o pai de Maria, homem pescador, que chega da pescaria.
Maria levanta, pega o candeeiro e vai ao encontro do pai, ele, negro como a noite, está pálido e trêmulo, anda apressado.
- O que foi pai? Pergunta Maria.
- Nada, nada. Entre pra casa.
Maria volta pra cama, o pai também vai deitar.
- Que foi homem? Pergunta a Mãe.
- Mulher vi uma coisa que num era pra vê. Vi lá na ilha das cobras uma faísca bem pequeninha de fogo, pensei que era o velho Neca que resolveu dormir lá na casa do morador. O rio tava parado, parecia que tava dormindo, num tinha vento nenhum, resolvi pegar o remo e ir remando pra lá, pensei esperar o vento chegar preu armar minha vela e vir pra casa. Mas quanto mais eu remava, mas aquela faísca de fogo se distanciava de mim, ai eu gritei.
- Seu Neca! Seu Neca! A faísca começou a crescer, pensei tá vendo uma visagem, parei de remar e fiz o sinal da cruz. Quando eu torno olhar vejo duas bolas de fogo, elas se aproximava e se afastava, ficava pulando nas palhas de coqueiro, nos galhos da mangueira, de repente elas se juntam e virou um fogaréu tão grande que alumiava mais que o farol da boca da barra.
Peguei o remo e remei pro meio do rio, a bola de fogo parecia dançar e cada vez ia ficando bem grande, de repente dá um pipoco tão grande e desaparece. Era o fogo corredor mulé. Que dia estranho foi esse; nenhum peixe eu peguei na minha rede...
Maria, da cama, ouvia a história do pai, agora a chama do candeeiro causa medo, poderia o fogo corredor entrar na casa?
Ela volta a fechar os olhos. Já passa da meia-noite.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria está na porta da cozinha, olha fixamente pro bicho que está sentado no pé de laranjeira, ele meio homem , meio cachorro, observa Maria congelada de medo, na cozinha.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria cria coragem e fecha a porta, mas a porta parece ter diminuído ela fechar mais a porta passa direto pra rua. O bicho começa a levantar e se aproximar.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria tenta fechar a porta, mas ela não fecha. Maria vai se afastando da porta. Uma mão peluda de umas longas vai abrindo a porta, Maria corre bate a porta e o ferrolho de madeira trava, finalmente a porta é fechada. Maria corre para cama, ouve passos no oitão da casa e a voz aos poucos vai se distanciando...
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria treme na cama. Agora ela reza: “Santo anjo do senhor meu zeloso guardador...”
O coração que tava acelerado, vai desacelerando...
Passos são ouvidos no oitão da casa, uma voz fechada, murmurada, acompanha os passos... O coração de Maria volta a acelerar... A voz e os passos circulam a casa.
Cada vez mais os passos e a voz ficam mais altos, parece tá circulando o quarto, depois a cama... Maria com os olhos fechado e coração acelerado se encolhe na cama. Some os passos e a voz, mas a respiração ofegante continua no pé da cama.
Uma velha, muito velha, de cachimbo na boca e agulha na mão, observa Maria. Maria, tremendo puxa o lençol, deixando o calcanhar do lado de fora, a velha, olha pro calcanhar de Maria e pra agulha, lentamente ele enfia a agulha no calcanhar de Maria, Maria sente uma dormência no pé todo. De repente uma voz:
- Maria, Maria, levanta, a boca da barra já avista, é hora de correr os covos com seu pai!
A mãe segura no pé dormente de Maria, ela aliviada, pula da cama, abraça a mãe e sai saltando num pé só, lava o rosto e corre pra canoa do pai.
Linete Matias
Toda a noite, os mais velhos ascendem uma fogueira, sentam nas esteiras e começam a contar histórias, as histórias que a lua inspira, histórias de mula-sem-cabeça, lobisomem, histórias mal-assombradas...
As crianças escutam tudo, o medo vai deixando frio o lugar, os olhos percorrem a vegetação, os cantos escuros dos quintais das casas, o balanço dos barcos. O corpo treme, Maria, menina esperta, corre pro colo de sua mãe, ali ela se sente protegida, longe dos perigos. Os mais velhos riem e aos poucos vão entrando para casa.
Maria vai segurando na barra da saia de sua mãe. Ela abre a porta da casa, ascende o candeeiro e leva Maria pra a cama.
Maria deita, mas as sombras projetadas na parede do quarto feitas pelo candeeiro, faz lembrar as histórias que os mais velhos contaram...
Maria volta a tremer, pega o lençol e se enrola da cabeça aos pés...
É quase meia-noite, Maria continua toda enrola no lençol e com os olhos fechados, às vezes cria coragem e abre aos poucos, mas torna a fechar, o candeeiro está quase apagado, mas as sombras na parede são ainda maiores.
Falta pouco pra meia-noite, Maria ouve trotes de cavalo na rua, os trotes vão ficando cada vez altos, de repente um rinchar de cavalo, Maria cria coragem e brecha pelo ferrolho da porta. Maria menina medrosa, curiosa, nada vê, o barulho some, nem o rio tem movimento a essa hora, ele parece uma extensão do céu. Um céu com duas luas.
- Será que era a mula sem cabeça?
Os mais velhos contam que nas noites de lua cheia ela corre desembestada pelas ruas, o pai de Maria disse que já viu.
- É uma mula bonita, mas no lugar de cabeça ela tem uma fogueira no lugar.
Talvez seja a Ziza, ela namorou com o padre e nunca mais foi vista no povoado.Virou mula.
Outro barulho, agora vem da água, é o ziguezague do remo que Maria ouve. Ela torna a olhar pelo buraco da fechadura. É o pai de Maria, homem pescador, que chega da pescaria.
Maria levanta, pega o candeeiro e vai ao encontro do pai, ele, negro como a noite, está pálido e trêmulo, anda apressado.
- O que foi pai? Pergunta Maria.
- Nada, nada. Entre pra casa.
Maria volta pra cama, o pai também vai deitar.
- Que foi homem? Pergunta a Mãe.
- Mulher vi uma coisa que num era pra vê. Vi lá na ilha das cobras uma faísca bem pequeninha de fogo, pensei que era o velho Neca que resolveu dormir lá na casa do morador. O rio tava parado, parecia que tava dormindo, num tinha vento nenhum, resolvi pegar o remo e ir remando pra lá, pensei esperar o vento chegar preu armar minha vela e vir pra casa. Mas quanto mais eu remava, mas aquela faísca de fogo se distanciava de mim, ai eu gritei.
- Seu Neca! Seu Neca! A faísca começou a crescer, pensei tá vendo uma visagem, parei de remar e fiz o sinal da cruz. Quando eu torno olhar vejo duas bolas de fogo, elas se aproximava e se afastava, ficava pulando nas palhas de coqueiro, nos galhos da mangueira, de repente elas se juntam e virou um fogaréu tão grande que alumiava mais que o farol da boca da barra.
Peguei o remo e remei pro meio do rio, a bola de fogo parecia dançar e cada vez ia ficando bem grande, de repente dá um pipoco tão grande e desaparece. Era o fogo corredor mulé. Que dia estranho foi esse; nenhum peixe eu peguei na minha rede...
Maria, da cama, ouvia a história do pai, agora a chama do candeeiro causa medo, poderia o fogo corredor entrar na casa?
Ela volta a fechar os olhos. Já passa da meia-noite.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria está na porta da cozinha, olha fixamente pro bicho que está sentado no pé de laranjeira, ele meio homem , meio cachorro, observa Maria congelada de medo, na cozinha.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria cria coragem e fecha a porta, mas a porta parece ter diminuído ela fechar mais a porta passa direto pra rua. O bicho começa a levantar e se aproximar.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria tenta fechar a porta, mas ela não fecha. Maria vai se afastando da porta. Uma mão peluda de umas longas vai abrindo a porta, Maria corre bate a porta e o ferrolho de madeira trava, finalmente a porta é fechada. Maria corre para cama, ouve passos no oitão da casa e a voz aos poucos vai se distanciando...
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria, Maria, abre a porta que eu quero te visitar.
Maria já dormiu, Maria já levantou.
Maria treme na cama. Agora ela reza: “Santo anjo do senhor meu zeloso guardador...”
O coração que tava acelerado, vai desacelerando...
Passos são ouvidos no oitão da casa, uma voz fechada, murmurada, acompanha os passos... O coração de Maria volta a acelerar... A voz e os passos circulam a casa.
Cada vez mais os passos e a voz ficam mais altos, parece tá circulando o quarto, depois a cama... Maria com os olhos fechado e coração acelerado se encolhe na cama. Some os passos e a voz, mas a respiração ofegante continua no pé da cama.
Uma velha, muito velha, de cachimbo na boca e agulha na mão, observa Maria. Maria, tremendo puxa o lençol, deixando o calcanhar do lado de fora, a velha, olha pro calcanhar de Maria e pra agulha, lentamente ele enfia a agulha no calcanhar de Maria, Maria sente uma dormência no pé todo. De repente uma voz:
- Maria, Maria, levanta, a boca da barra já avista, é hora de correr os covos com seu pai!
A mãe segura no pé dormente de Maria, ela aliviada, pula da cama, abraça a mãe e sai saltando num pé só, lava o rosto e corre pra canoa do pai.
Linete Matias
domingo, 6 de novembro de 2011
Mergulho na paisagem
Hoje o dia amanheceu, eu amanhecida. Meu olhar consegue perceber as várias tonalidades de verdes pintadas nas árvores que vejo da janela de minha casa. O vento sopra um frio agradável, os pássaros ecoam uma sinfonia que acalma, alegra o coração. Eu por muito tempo mergulhei nessa paisagem e me fiz colorir.
domingo, 2 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
foi a noite mais frágil e forte de minha vida já vivida.
De choro e risos
de poesia e dor.
Poesia dolorida.
Atravessei sinal verde, a foice da morte me suspendeu
o ônibus buzinou e passou.
Outros pararam.
Fiquei suspensa,
fiz chuva de minhas lágrimas, o demônio bateu as asas e
as lágrimas cessaram.
O riso veio irônico, a muralha estabelecida.
Me fiz atriz.
Desenho feito por Benjamin Abras, em 14 de Julho de 2011, durante mostra documenta Roberto Zucco - Oficinão 2011.
Escrito de Linete Matias, em 23 de Setembro, primeiro dia de Primavera/2011, em Santa Fé de Minas – MG.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Erudita/Popular ou Popular/Erudita
Pois não sou nem erudita nem popular. Sou mais popular que erudita. Apaixonada pela ciência de saber quando a refrega vem e é hora de colocar a bolina e mudar o rumo das velas. Aprender com a dança, curar com folhas... me embriagar de areia, vento, histórias, nascer e morrer do sol. Apreciar as rachaduras de pés a muito trilhados, chorar e vê lágrimas rolarem de felicidade de olhos enrugados...Pois sou mais popular que erudita.
domingo, 11 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Contando histórias
http://www.youtube.com/watch?v=6VkCr_GDLIU
Participação da Contadora de Histórias Linete Matias com Aline Cântia e Chico do Céu no salão do Livro.
Setembro de 2011 - Belo Horizonte - MG
Participação da Contadora de Histórias Linete Matias com Aline Cântia e Chico do Céu no salão do Livro.
Setembro de 2011 - Belo Horizonte - MG
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