Um homem chamado João trabalhava numa ilha. Todos os dias ele atravessa o rio para ir à cidade. Certo dia, a canoa furou e foi a pique (afundou). João ficou flutuando nas águas e começou a pedir socorro a tudo quanto era santo. Já fadigado, lembrou de São Roque, que era o protetor das pedras. Quando ele chamou pelo santo, sentiu uma pedra nos pés. A pedra foi levantando José até ele ficar com água até o pescoço, aí apareceu um barqueiro e o salvou.
João disse:
- Tenho fé em Deus, que eu não volto mais aqui. Vou vender tudo que eu tenho, aí vou mandar celebrar uma missa de ação de graça a São Roque.
Quando vendeu tudo que tinha, foi até a igreja falar com o padre. O padre disse que não existia santo com esse nome.
- Existe padre, eu fui salvo por ele – disse João.
- Só se existir em outros livros – o padre disse - na velha nomenclatura.
- Já vendi tudo que tinha pra fazer a festa de São Roque e você me diz que ele não existe.
João não tinha falado em dinheiro, por isso o santo não existia.
Assim que João falou em dinheiro o padre disse que ia procurar mais um pouco. No outro dia, o padre encontrou quem era São Roque. Ele mandou chamar João e disse:
- Eu encontrei. Todo carpinteiro tem que ter um auxiliar. São José era carpinteiro e São Roque seu auxiliar. Vou publicar três domingos pra ser a festa de São Roque e vou colocar um cofre, ao lado do altar. Toda vez que eu falar em São Roque você bota um bocado de dinheiro no cofre.
Chegou o dia da festa e João chegou com uma mochila de dinheiro. Sentou ao lado do cofre e logo a missa começou. O padre começou fazendo o sermão:
- Caríssimos irmãos. Hoje é um dia comemorativo a quem?
Os irmãos responderam: - A São Roque! ( e João, tome dinheiro)
- Vocês sabem que São José era carpinteiro, e todo carpinteiro precisa de um auxiliar. E quem era esse auxiliar?
O povo: - São Roque! (e João tome dinheiro)
- Um dos dias, São José mandou Roque... (e João, tome dinheiro) serrar a tabua. São José disse: - Vá serrando enquanto eu ‘sento’ aquela que já está pronta. Quando eu voltar a gente vai almoçar. São José ‘sentou’ a tabua e quando voltou viu que Roque... (e João, tome dinheiro)... não tinha serrado. Ai ele disse: - você não serrou porque o serrote tá ao contrário, bote os dentes do serrote pro lado da frente, aí você vai serrar mais rápido. Você tá serrando assim: - roque, roque, roque... (e João, tome dinheiro, tome dinheiro, tome dinheiro)... Serre assim, bem compassado.
O padre continuou: - Quando Roque... (e João, tome dinheiro) mudou a posição do serrote, só era( o padre fala bem rapidinho): - roque, roque, roque, roque, roque, roque, roque ... (e João, tome dinheiro, tome dinheiro, tome dinheiro, tome dinheiro, tome dinheiro, tome dinheiro, tome dinheiro).
João puxou na batina do padre e disse: - O dinheiro acabou!
O padre respondeu com a voz eloqüente:- E foi assim caríssimos irmãos, que foi a vida de São José!
(História pesquisada e registrada por Linete Matias, no Livro "Um tanto que conto do Griô Zé Correia" contador de histórias de Piaçabuçu/Al)
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